Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

novo ano

O melhor pretexto

 

É tão frágil a vida,

tão efémero tudo!

(Não é verdade, amiga,

olhinhos-cor-de-musgo?)

 

E ao mesmo tempo é forte,

forte de veleidade

de resistir à morte

quanto maior a idade.

 

Assim, aos trinta e sete,

fechados alguns ciclos,

a vida ainda pede

mais sentimento, vínculos.

 

Não tanto os que nos deram

a fúria de viver,

como esses descobertos

depois de se saber

 

que a vida não é outra

senão a que fazemos

(e a vida é uma só,

pois jamais voltaremos).

 

Partidários da vida,

melhor: do que está vivo,

digamos 'não' a tudo

que tenha outro sentido.

 

E que melhor pretexto

(quem o saiba que o diga!)

teremos p'ra viver

senão a própria vida.

                      Alexandre O´Neil

publicado por M. Belo às 16:01
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

ainda a memória

 

Capitania do porto de Aveiro

publicado por M. Belo às 12:18
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

memória

 

 

 

há lugares  que desexistiram

para poderem em mim

ser apenas memória.

publicado por M. Belo às 15:44
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

todas as esperas

As rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas

É como se prendesse entre os meus dentes

Todo o luar das noites transparentes,

Todo o fulgor das tardes luminosas,

O vento bailador das Primaveras,

A doçura amarga dos poentes,

E a exaltação de todas as esperas.

 

                           Sophia de Mello Breyner

 

publicado por M. Belo às 12:23
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Sábado, 9 de Dezembro de 2006

Em Ti

O sabor da tua boca e a cor da tua pele,

pele,boca, fruta minha destes dias velozes,

diz-me, sempre estiveram contigo

por anos e viagens e por luas e sóis

e terra e pranto e chuva e alegria,

ou só agora, só agora

brotam das tuas raízes

como a água que à terra seca traz

germinações de mim desconhecidas

ou aos lábios do cântaro esquecido

na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.

Ninguém sabe estas coisas.

Mas, aproximando os meus sentidos todos

da luz da tua pele, desapareces,

fundes-te como o ácido

aroma dum fruto

e o calor dum caminho,

o cheiro do milho debulhado,

a madressilva da tarde pura,

os nomes da terra poeirenta,

o infinito perfume da pátria:

magnólia e matagal, sangue e farinha,

galope de cavalos,

a lua poeirenta das aldeias,

o pão recém-nascido:

ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,

volta ao meu coração, volta ao meu corpo,

e volto a ser contigo

a terra que tu és:

tu és em mim profunda primavera:

volto a saber em ti como germino.

Pablo Neruda, Os Versos do Capitão

 

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publicado por M. Belo às 18:31
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Vermut de Grifo

 

A boémia é sobretudo um acto de inteligência.

publicado por M. Belo às 18:14
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